Marcela Hippe – Líder de Produtos Digitais na Jüssi

Sim, é realmente difícil criar um portfólio, mas talvez por motivos diferentes do que você está pensando. Se você faz um bom trabalho no dia a dia provavelmente vai conseguir criar um bom portfólio sem muito esforço. A seguir, listo os pontos que considero mais relevantes quando estou em um processo de recrutamento:

A quantidade não importa

Você pode literalmente ter um único projeto público, mas se ele estiver bem contado, os recrutadores vão entrar em contato.

Se você é um UI Designer é importante demonstrar não só o seu processo, mas também seu refinamento ao desenhar interfaces: demonstre o layout final de algumas telas principais, algum elemento com micro-interação, fale um pouco sobre o style guide (sua escolha de tipografias, iconografia, paleta de cores, etc.). Se você é um UX Writer, demonstre algum antes e depois, conte sobre o tom de voz que criou, fale sobre como a marca se comunica, dê informações que ajudem o recrutador a entender o contexto dos textos que você escreveu. 

A definição do problema

Não importa se você é um iniciante ou veterano da área, um Researcher, UI Designer ou UX Writer, pra contar sobre a sua solução de Design é preciso sempre começar por ela. Uma declaração sucinta e objetiva do problema é essencial para que todo o resto da história faça sentido. Dê o máximo de contexto que o sigilo dos dados sensíveis e a ética permitirem, mas explique o quê você precisava resolver com a sua solução. Quais eram as dores do usuário? Qual era o problema de negócio? Quais eram as métricas do produto que precisavam ser melhoradas? Qual era a barreira no fluxo que precisava ser eliminada?

O processo

É totalmente compreensível que você esteja trabalhando em um contexto com pouco espaço para fazer pesquisas, em um projeto em que alguém exigiu telas o quanto antes. Ainda assim, houve um processo e o recrutador sempre está interessado em saber qual foi.

O ideal para entregas de Design, é claro, é que tenha havido algum tipo de validação com usuários – card sorting em fases iniciais, teste de usabilidade em wireframes ou até mesmo um teste A/B em produção – mas caso você não tenha conseguido fazer nada disso, ao menos demonstre o resultado de sua solução com comparativos de dados do Analytics ou Hotjar.

O pós-Design

Não necessariamente é preciso finalizar seu case com um relatório do Google Analytics mostrando que a sua solução foi um grande sucesso em produção. Todo recrutador entende que nem sempre as soluções vão pro ar exatamente da maneira que foram desenhadas. Agora, tem uma coisa que é sempre relevante mostrar: como você entrega seu Design para a pessoa que vai recebê-lo? No caso de um UI Designer, pra exemplificar: como você garante que o desenvolvedor vai programar suas telas da forma que você pensou? Se você cria um documento de especificações, inclua isso no portfólio; mostre um screenshot do seu arquivo aberto (seja no Figma, Sketch ou Adobe XD) para exemplificar como você organiza e nomeia os elementos. Esse tipo de material é tão importante quanto o resultado final.


Marcela Hippe é líder de produtos digitais na Jüssi e mentora na Awari.